POR SÃO SEBASTIÃO
Nunca precisei de mandato para brigar por essa cidade.
Quando a hantavirose matava em São Sebastião e o governo demorava, eu levei um rato de borracha e um monte de gente para a frente do Congresso. Não era candidato. Era professor e morador.
A escola que não podia esperar
Meu primeiro ano como professor concursado. Mil e quinhentos alunos estudando num galpão dividido por madeirite, no sol de Brasília, com a escola nova pronta e fechada ao lado. Nós ocupamos a escola. No dia seguinte o caminhão de móveis chegou.
A cidade que ninguém ouvia
Como deputado distrital, entre 2007 e 2010, cobrei o que São Sebastião pedia havia décadas: a UPA, a Vila Olímpica, a regularização das nossas quadras e infraestrutura para os bairros que cresciam sem nada.
A sala de aula que nunca deixei
Continuo professor. Hoje trabalho com os alunos com síndrome de Down da minha escola. Quem convive todo dia com o que falta na escola pública não precisa de assessor para saber o que propor.
Tentaram me tirar daqui. Não conseguiram.
Em 2009 meu nome apareceu por dez segundos numa gravação feita por um homem que depois admitiu não me conhecer. Foram doze anos respondendo por algo que eu não fiz.
Cumpri tudo o que me foi imposto, e no processo criminal a Justiça reconheceu que não havia prova alguma contra mim. Voltei limpo e elegível.
Nesses doze anos, eu não saí de São Sebastião. Continuei dando aula. Continuei criando meus filhos. Continuei cuidando da minha mãe. Porque servir esta cidade nunca dependeu de eu ter um cargo.
Chega de brigar entre nós.
Uma cidade deste tamanho é grande demais para caber numa rixa pequena. Se em algum momento eu deixei a indignação falar mais alto, foi porque eu amo demais esta cidade para ver ela se contentar com tão pouco. Mas eu não voltei para brigar. Eu voltei para servir.
São Sebastião merece mais do que um deputado. Merece dois. Merece força dobrada na Câmara Legislativa para tirar o nosso hospital do papel.